quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

SERÁ VIÁVEL UMA FUSÃO TAAG E TAP?


Que benefícios econômicos o setor aéreo e o consumidor angolano teriam com a fusão TAAG-TAP?
 A TAP, em função das médias anuais de prejuízos apresentadas, vem gerando cada vez menos acréscimos ao seu valor patrimônial líquido anual.
A TAAG, empresa de capacidade operacional menor, apresenta custos subsidiados pelo governo,embora tenha gerado lucros "nominais" expressivos, deteria uma proporção inferior nas receitas geradas pela fusão. Por apresentar margens de contribuição inferiores as da TAP, o que implica dizer que, a retirada dos subsídios Estatais sobre os custos operacionais da TAAG,  desmonstrariam lucros reais inferiores aos "supostos" , ou até mesmo prejuízos expressivos não esperados. Desta forma, a TAAG participaria da fusão auferindo menores ganhos na partilha das receitas. Tal situação, justificaria-se pelos custos "reais" maquiados via subsídios dada a tendência da companhia apresentar prejuízos operacionais ao longo do tempo. Uma fusão entre a TAAG e TAP em pouco sortiria em "mais valia" para o setor aéreo angolano.
O processo de fusão implicará para as duas empresas, a assumirem obrigações trabalhistas de exercícios anteriores levando a deduzir, a inexistencia de resultados positivos do ponto de vista do consumidor. As passagens aereas  continuarão caras, não acompanhadas em melhorias significativas dos serviços, levando a crer que a estratégia fusão implicará somente em  aproveitamento do potencial de consumo no mercado angolano, além de promover o 'desafogamento' da companhia portuguesa.
Portanto, a tendência aos preços elevados tendem a se manter. A ausência de diferenciação de preços por segmentos e classes de consumo  não estarão expressos em diferenciação de preços. Portanto, benefícios esperados, como serviços baseados na diferenciação por segmentos de renda, e serviços específicos como os de férias e excursões poderão não apresentar-se como novidades para o mercado, dada inexistência de competição no setor angolano. Teríamos ainda um setor monopolizado, porém como uma gestão diferente da atual.
A inexistência de tais estratégias como as da redução de preços e o uso  de técnicas de diferenciação por segmentos, levam a maior facilidade e atendimento personalizado a determinados grupos de consumidores entre faixas de rendas distintas.
Porém, esforços para abosorção de nichos de mercado via customização e segmentação, dificilmente serão implementados no primeiro momento, devido ao fato de serem  duas empresas públicas, tornando o mercado atrativo para novos entrantes, principalmente os que atuam em segmentos diferenciados e tipicamente privados.
Se considerar uma análise do BREAK EVEN POINT (ponto de equilíbrio- indicativo de lucro máximo) de cada companhia (TAAG E TAP), ficaría evidente qual empresa mandará no bolo da receita gerada pela fusão, confirmada pela maior margem de contribuição e maior operacionalidade das rotas/escalas operacionais em relação a Taag.
 A empresa angolana por enfrentar ausência de concorrência, a torna imune a comparações    com prováveis players locais,devido ao porte, escala e dimensão, o que a torna monopolista dos serviços aéreos no mercado angolano pela capacidade em poder 'ditar' preços dos serviços sem qualquer concorrência ameaçadora. A verdadeira margem de contribuição serviços permanecem desconhecidas, sendo difícil 'auferir' quantitativamente qual seria o "peso" da Taag nas receitas auferidas com a fusão, além de qual a verdadeira capacidade de mudanças dada a nova realidade.
Naturalmente a TAP por apresentar uma margem de contribuição conhecida e relativamente superior, apresenta-se como a maior favorecida na negociação, podendo se transformar facilmente em líder dominadora na gestão da estratégia pela produtividade, escalas. Além da maior eficiência na gestão de custos e melhores resultados comparativamente a Taag, a TAP poderá ditar as regras do jogo no mercado angolano, tornando-se numa excelente alternativa para a melhoria do posicionamento atual de caixa atualmente em dificuldades.
De modo geral o benefício maior se daria para as contas públicas portuguesas, através dos lucros expressos em cada final exercício anual vai mercado angolano, justificado  na 'potencialização'  e/ou amplificação das rotas,  redução de custos dada pelas economias de escala externas e internas, e pela eficiência marginal do capital expressa no retorno do capital investido.
Por sua vez o maior benefício do consumidor angolano, poderia estar expresso na melhoria dos serviços prestados, se comparados aos atuais da TAAG, porém, inferiores ao verificado no mercado mundial ao potencial de " sinergia" dado ao setor, se comparado as potenciais empresas mundiais líderes interessadas no mercado angolano.
A transferência de KNOW-HOW se apresenta como principal fator de benefícios para o setor aéreo em si, porém não traduzido imediatamente em preços competitivos na manutenção e treinamento operacional no mercado angolano, devido aos custos elevados a incorrer com Marketing de serviços no posicionamento da empresa. Todo o processo demandaria tempo e mão de obra nacional qualificada ate atingir-se os feitos desejados, para operar como plantas mas eficientes, geralmente dotadas de alto complexidade tecnológica, que no meu ponto de vista poderia se traduzir em fortes necessidades de investimentos em educação e treinamento não contemplados no orçamento público.
De modo geral, o que efetivamente indica como solução para a fusão, é o modo como a gestão da crise que a companhia angolana atravessou durou para ser superada, sendo expressiva a forma como foi apoiada pela TAP e demais companhias para o cumprimento e extensão dos serviços por todo o continente dada determinações da IATA, surgindo daí a idéia de fusão para entre as companhias, como forma de superação da barreira imposta pela organização.
É importante citar de forma ilustrativa que a Tap se comparados ao setor mundial, apresenta ineficiências expressa na baixa qualidade dos serviços na produtividade na inovação dos procedimentos de comparado aos grandes PLAYERS mundiais. Este ponto mostra a ausência de sinergia positivas consideráveis e amplificadas em escalas surpreendentes para setor angolano em geral carecendo de apresentar vantagens expressivas que o mercado angolano carece no momento. Essa limitação pode ser entendida na observação da composição dos custos fixos e variáveis e margens de contribuição somadas na fusão entre ambas, ou seja, não surtirão em sinergia com diferencial expressivo para o mercado da região austral (vide mercado sul africano).
Portanto, a concretização da estratégia de fusão levaria ao estado Angolano "redimir-se" pela perda de rendimentos com a companhia, apenas mudando a sua posição de patrono estatal, para acionista de proporções inferiores, pelo "desacobertamento" aos custos subsidiados ,tranformando-o num acionista minoritário, o que me parece não se constituir numa alternativa factível do ponto de vista estratégico atual do Estado angolano se observado suas recentes intervenções no setor.
Nota-se uma grande preocupação do Estato em reposicionar a companhia a um patamar de serviços de qualidade abrangentes e direcionadas ao consumidor, as ações pela tentativa de serviços de customização via atendimento online, o que demonstra a tentativa de manutenção da gestão centralizada no setor público, mas direcionada as necessidades do consumidor.
Para TAP mas uma vez, seria um bom negócio pela oportunidade de ampliação e diversificação da composição do capital via fusão, que pode se traduzir em um fator amais de eliminação do risco sistêmico da companhia portuguesa nos serviços prestados ao mercado angolano, diferente de outras regiões em que atua.
A ampliação dos lucros da Tap com a fusão dar-se-ia via aumento nas operações, inibiria qualquer oportunidade de empresas angolanas menores atuarem em segmentos de serviços correlacionados, em detrimento do aumento decrescente de empregos diretos e indiretos, em função das estratégias se apresentarem com maximizadoras de lucros e minimizadoras de custos,demandando pessoal altamente qualificado aptos a assumir funções variadas, reduzindo drasticamente o número de empregos gerados.
De modo geral uma estratégia de fusão entre a TAAG e TAP, carece de se mostrar "eficiente" do ponto de vista econômico e financeiro, devido a existência de melhores opções no mercado mundial, que ofereceriam qualidade de serviços minimizadores de custos (sem necessidade de subsídios) em curto espaço de tempo, além do aparecimento de serviços equiparáveis aos serviços mundiais através da adoção de melhores práticas de segurança conforme regras da IATA . Porém, no meu ponto de vista a abertura gradual a concorrência para segmentos de rotas menores, o fomento para geração de oportunidades em segmentos correlacionados , poderia ser uma alternativa para o desenvolvimento e o aparecimento de novos players no mercado interno angolano, não descartando a necessidade de fortes investimentos por parte do estado na remodelação do setor habilitando serviços internacionais para novas companhias nacionais futuros mediante desempenho e abertura a concorrência, e conseqüente incentivo a ampliação da diversidade de serviços. Uma forma para o começo deste objetivo seria a criação de "marcas" nacionais leiloadas para empresas que apresentam altos investimentos de capital,  ou abrir programas de financiamentos e facilidades na aquisição de máquinas e equipamentos pesados para o empresariado nacional, parte delas capitalizadas em bolsa de valores em alguns casos e 'ancoradas' financeiramente ao Estado como forma de dar credibilidade aos investimentos no mercado além de servir como fator de diversificação do risco sistêmico temporário, sendo importante tais empresas serem regidas por executivos profissionais e gestores financeiros e econômicos independentes.
Obrigado.
Paulo Jorge Burity - Economista
55 31 99413136

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

TAAG, O DESAFIO É ECONÔMICO OU ESTRATÉGICO?



Detentora de um faturamento na ordem dos milhões de dólares, a TAAG - Transportes aéreos de Angola parece somente enfrentar problemas fora das rotas internas do país. Boa parte desta visão encontra-se centrada na posição de mercado que ostenta em Angola. A empresa não dispõe de concorrentes em geral, dado a estrutura regulamentar do setor, particularmente centralizada na administração pública.  O Governo como impulsionador indireto da companhia, via subsídios, age como se uma "mão invisível" fosse, na predominância como monopolizadora natural dos serviços aéreos.
A inexistência de concorrentes,   torna-se o prato cheio de oportunidades para o incremento da oferta de "variados cardápios de serviços", que poderiam resultar na ampliação do domínio de longo prazo da companhia, resultando na elevação do custo de entrada de  novas empresas no setor. Caso a adoção de estratégias competitivas para um setor "monodominado" como o nosso, tal atitude necessitará priorizar a qualidade na prestação dos serviços, do nível e padrões semelhantes a das principais interessadas a partilharem o mercado aéreo angolano.
Acredito que a concretização de tal feito, estará focada na gestão de estratégias administrativa profissional em parceria com Estado, e focada no mercado, sendo classificado o Estado como acionista-parceiro imparcial nas decisões gerencias e estratégicas da empresa. É o ideal no meu imaginário, a principal forma de defesa diante das concorrentes internacionais.
Portanto o ponto de partida para o aumento da eficiência produtiva da empresa poderia se dar na liderança impulsionada pela  profissionalização da administração da companhia, com base de gestão dada por executivos nacionais capacitados, e de origem  nas principais universidades pertencentes a economias que atravessaram situações em décadas recentes da história. Ainda assim, o ideal seria abrir a concorrência  para empresas de criação origem nacional.
 Acredito que a parceria pública privada , blinda o a companhia contra as principais crises financeira conforme as que vivemos recentemente. Tratando-se de uma companhia que predomina o capital público, seus investimentos tendem a se tornar morosos, caso a sua totalidade seja dependente do Estado provedor majoritário o risco torna-se real, devido a burocrática forma de atuação, justificando a abertura para o mercado de capitais como forma de capitalização dos projetos de investimentos.
Olhando o estágio atual que nos encontramos, a explicação confirma a morosidade dos serviços, sendo as  as costumeiras listas de esperas de passageiros associada a risco de não embarque, as alteração repentinas na taxa de ocupação de acentos e ainda o descompasso entre os horários de embarque marcado e o efetivo embarque, explicam a urgência da mudança das estratégias de serviços da companhia.
 A sugestão de tais mudanças visam a atender a inevitável tendência que o setor tende apresentar, ou seja uma crescente segmentação dos serviços, terceirização das atividades e administração voltada para resultados.
Modelos  específicos de atendimento voltados para a segmentação de serviços para pequenos nichos como os composto por demandas de  executivos, diplomatas, homens de negócios, e  demais grupos  seria uma parcela que poderia aberta a concorrência de companhias de menor porte explorarem .
A Taag mantém sua liderança devido a fortes subsídios do Estado, detendo  a totalidade do market share (bolo) de todo mercado aereo angolano, sem um concorrente com capacidade equiparada.
A empresa  sobrevive diante de desafios expressos na prestação de serviços de qualidade no atendimento e apoio ao cliente diante de um cenário externo direcionado ao aumento da competição, e inevitável pressão na busca pela eficiência constante e diferencial dos produtos e serviços.
Preocupa-me a perpetuação destas dificuldades a medida economia do país mantem fortes  tendências de crescimento econômico associado ao aparecimento da crescente "elite" consumidora de serviços e produtos, exigentes e com capacidade de definir a justificável entrada de empresas que tomariam o mercado em detrimento das oportunidades de negócios que poderiam estar reservadas aos nacionais.
Descartando a possibilidade de concorrência pelo menos no médio prazo, um cenário possível de pressão para a Taag,  estará exposto com a operacionalidade do novo aeroporto internacional de Luanda, em que  a ampliação dos serviços da companhia estará evidente, dado a escala operacional do projeto do aeroporto, o que implicará na necessidade acompanhamento a medida que o volume de operacionalização do aeroporto  caminha para o seu potencial máximo de capacidade.  A Taag pretendente a dominante do setor, estará obrigada a ampliar os investimentos em infraestrutura de atendimento e prestação de serviços condizente com a escala de operacionalidade do novo aeroporto, a medida que necessita manter-se como líder do mercado.
Nos níveis de operacionalidade atuais, a companhia deixa em aberto uma fatia de mercado vasta de oferta de serviços customizados, nichos e demais demandas preferências ainda não exploradas, que se absorvidas por companhias caracterizadas por atuação atraves do marketing agressivo poderá mudar a configuração do  mercado de transporte aéreo sem chances para o empresariado nacional.
Peso embora  o mercado se configure atualmente como ineficiênte, ou seja, um monopólio, ainda assim, supondo abertura a concorrência,  a Taag poderia se estabelecer com principal detentora da maior fatia do mercado no setor caso adotasse as estratégias de empresas potenciais concorrentes na sua forma de atuação na prestação dos serviços.
O constante aumento do volume dos negócios verificados em Angola, o aumento no deslocamento de executivos, governantes  em busca de negócios, e o crescente número de profissionais se deslocando para o interior do país, dado o estabelecimento das empresas nessa regiões,  justifica a implementação de uma estratégia para a  ampliação da capacidade operativa  da companhia, e beneficiar-se dos custos a entrada aos demais competidores que inevitavelmente criará, retirando o Estado do papel de provedor de subsídios e agente regulador do setor.
O grande entrave atual está expresso na dependência demanda por recursos públicos, já pressionados pelas crescentes gastos incorridos com infraestrutura do país, e ausência de uma profissionalização na gestão tendo em vista as mudanças econômicas significativas na economia, tais como o surgimento do mercado de capitais.
A ampliação da capacidade operacional se dará, dentre outras necessidades, na ampliação do número de aeronaves modernas, nos balcões de atendimento, equipamentos de segurança, nas agencias e nos sistemas de telecomunicação e comunicação da companhia, demandando forte corrida ao financiamento para a expansão das atividades iniciais que o mercado de capitais oferece.
Um cenário possível, diferente da existente  reserva de mercado (regulamentada), poderá se dar pelo preenchimento das oportunidades por explorar neste mercado" pelas  companhias nacionais novas nacionais diferente das estrangeiras de grande porte, que "perigosamente" se caracterizam por plantas extremamente eficiente de alta produtividade nos seus serviços disparadamente superior aos estamos acostumados atualmente. Portanto empresas nacionais de pequeno porte, futuras entrantes seus níveis de serviços  inevitavelmente a custos bastante competitivos,  capazes de se posicionarem no mercado operando via economia externas  eficientes de alto valor para os clientes.
Portanto, compreende-se a dificuldade de entrada no mercado de novas companhias  na disputa para operar as principais rotas em Angola, como uma forma de proteção imposta pela estratégia do governo, porém que poderia servir de fôlego para a Taag atingir padrões internacionais enquanto domina quase 100% dos serviços aéreos nacionais.
A necessidade de serviços com maior amplitude, é um apelo ao setor como forma de modernização,  que pela lógica da concorrência supostamente tiraria a Taag da liderança do mercado numa velocidade assustadoramente preocupante.
Diante das análises micro-macroeconomica, o consumidor se beneficiaria de situação melhor dada a abertura do setor para a concorrência, pois estaria benefiado por preços menores, por uma variedade de serviços o qual poderia optar, além da qualidade equiparáveis se comparada aos exigidos no exterior, e uma  natural 'acomodação" como líder no setor, operando em segmentos massivos como os das classes de passageiros C e D.
Esta análise pode se dar pela avaliação dos Custos Fixos, Custos variáveis e Margem de contribuição de cada empresa no setor dada a existência de concorrência. Aquela que apresentar uma maior margem de contribuição comparativa as demais concorrentes se torna líder de mercado determinando preço competitivos, obrigando a cada companhia concorrente operar em setores que oferecem oportunidades de demanda reprimida ou atuarem como seguidoras da líder sob risco de falência.
Talvez o governo, não se disponha a um cenário de risco tão nefasto para a Taag, supondo a opção melhor abster a companhia da "armadilha" da competição "concorrencial" por melhores serviços, ou leva-la a incorrer em operações geradoras de custos elevados, preferindo a convivência com a depreciação acelerada dos ativos e submetendo a dependência a subsídios e financiamentos morosos provenientes do Estado enquanto o mercado de capitais não comece a operar em escala satisfatória.
Paulo J. Burity - Economista
55 31 99413136

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